1911–1916 · porque é que o clube nasceu

O futebol era, desde o início, muito mais popular do que o atletismo ou o ciclismo. Torres Vedras, vila vizinha, já tinha formado o Grupo Sportivo Torreense em 1911, e em 1913 apareceram mais duas equipas na mesma vila. Como o futebol só tem razão de ser havendo adversário, e como a rivalidade entre vilas vizinhas era o que era, faltava ao Sobral ter a sua.

Um jovem sobralense, José Cândido França Borges, que segundo se sabe tinha duas grandes paixões, os toiros e a bola, meteu ombros à tarefa. Contactou Henrique Jorge Ribeiro, depois Manuel Borges Faria, e a seguir os outros: José Júlio Ramos Lopes, Armando Gomes da Silva Cordeiro, Matias da Silva Cordeiro, João Ferreira Dias, José Francisco Assis dos Reis e Augusto dos Santos Morais, entre outros. Depois de vários encontros e reuniões, fundaram o Montagraço Foot-Ball Clube. Era 1916.

França Borges morreu relativamente novo. Não há registo do dia nem do mês exactos da fundação, por isso em Assembleia Geral adoptou-se o 15 de abril como data de aniversário.

O campo da feira

Os jogos disputavam-se às segundas-feiras, à tarde, o dia de descanso semanal. De manhã havia que limpar o recinto: varrer os detritos dos animais, porque o primeiro espaço de jogo era o campo da feira, onde aos domingos se fazia o mercado.

Não havia cabines nem balneários para os jogadores se equiparem. O rectângulo era tudo menos rectangular, o piso cheio de buracos e nada plano. De um lado as balizas eram postes; do outro, um poste e um choupo, uma bela árvore de folhas verdejantes que dava uma magnífica sombra. Nada disto importava muito: o objectivo era competir.

1921 · a reorganização e o ciclismo

A 4 de julho de 1921 o clube foi reorganizado e passou a ter, para além do futebol, uma equipa de ciclismo. Dela faziam parte os irmãos Marques — Diamantino Augusto Marques, vencedor da 1.ª Volta ao Ribatejo em 1927, António Augusto Marques e Manuel Augusto Marques.

Entre os anos 20 e 30 o clube ganhou várias provas, embora não haja muita documentação dessa década. Em 1933/34 foi eleita a direcção presidida por Adolfo Rodrigues das Neves. A 4 de julho de 1938, com Joaquim Biencard Cruz na presidência, realizou-se um jogo contra Os Bucelenses que acabou empatado a quatro bolas.

As cores e o emblema

O primeiro equipamento, comprado com as economias dos próprios jogadores, era uma camisola às riscas verticais vermelhas e brancas com calção preto. Anos mais tarde houve também um equipamento todo vermelho com calção preto. Pensa-se que só na década de 30 o clube adoptou o verde e branco que chegou aos nossos dias.

O equipamento actual é uma camisola a duas cores, verde e branco, com calção preto e meias verdes, ou calção verde com meias pretas, podendo usar-se equipamento alternativo quando for preciso distinguir de outra equipa.

O símbolo adopta como insígnia uma árvore que representa um sobreiro, a que deu o nome à vila do Sobral. O escudo é bipartido em duas cores, verde e branco, com as letras M.A. de um lado e F.C. do outro, e quatro torres de castelo ao cimo.

Por completar

Esta página vem do texto que o clube já tinha escrito. Há décadas inteiras por contar, e fotografias, equipas e presidentes que merecem aqui um lugar. Quem tiver material do arquivo do clube, ou de casa, pode falar connosco.

Tenho material do clube